Split Payment: o que muda com a nova previsão para 2028 e como isso pode afetar o M&A

A Reforma Tributária continua redesenhando a forma como as empresas brasileiras administram seus impostos, processos e recursos financeiros. E uma das mudanças que mais merece atenção dos empresários é o Split Payment.
Nos últimos dias, a Receita Federal informou que trabalha com a previsão de tornar o mecanismo obrigatório em 2028, enquanto sua adoção deverá começar de forma gradual e facultativa em 2027, inicialmente nas operações entre empresas (B2B). A plataforma deverá estar pronta no início de 2027, mas a obrigatoriedade dependerá da adaptação dos bancos e demais operadores de meios de pagamento.
Para quem administra uma empresa, essa mudança representa muito mais do que uma alteração na forma de recolher impostos. Ela pode modificar a dinâmica do caixa, do capital de giro e dos indicadores financeiros.
E, para empresários que pensam em vender a empresa ou realizar uma operação de M&A nos próximos anos, estar preparado pode fazer diferença.

O que é o Split Payment?

O Split Payment, ou “pagamento dividido”, é um mecanismo previsto na Reforma Tributária que permitirá separar automaticamente, no momento da liquidação de uma operação, a parcela correspondente aos tributos.
Na lógica atual, a empresa normalmente recebe o valor integral da venda e posteriormente realiza o recolhimento dos tributos.
Com o novo mecanismo, a parcela correspondente aos impostos será segregada no momento do pagamento e direcionada ao Fisco. O fornecedor, portanto, recebe o valor líquido da operação. O sistema será utilizado para o recolhimento da CBS e do IBS, novos tributos sobre o consumo criados pela Reforma Tributária.
A mudança altera uma dinâmica importante: o empresário terá menos liberdade para administrar temporariamente os recursos correspondentes aos tributos dentro do seu fluxo de caixa.

Afinal, quando o Split Payment começa?

Essa é uma das principais atualizações recentes.
A previsão da Receita Federal é que a plataforma esteja preparada para começar a operar no início de 2027, mas de maneira gradual e facultativa, inicialmente nas operações B2B.
A expectativa é que a obrigatoriedade geral do mecanismo aconteça em 2028.
No entanto, é importante fazer uma ressalva: segundo as informações divulgadas pela Receita, essa previsão ainda não está estabelecida em uma norma específica. A obrigatoriedade dependerá também da adaptação dos bancos e dos demais operadores de meios de pagamento.

O cenário previsto é de uma transição:
2027 → início gradual e facultativo
2028 → previsão de obrigatoriedade

Essa diferença é importante para o planejamento empresarial.

Por que essa mudança importa para a gestão do caixa?

O impacto mais relevante para muitas empresas estará na liquidez.

Atualmente, existe um intervalo entre o recebimento de uma venda e o recolhimento dos tributos. Durante esse período, os recursos podem fazer parte da administração do capital de giro da empresa.

Com o Split Payment, a parcela destinada aos tributos será separada no momento da liquidação da operação.
Isso significa que empresas precisarão revisar suas projeções de:
fluxo de caixa;
capital de giro;
necessidade de crédito;
margem operacional;
ciclo financeiro;
disponibilidade de recursos.

O impacto tende a ser especialmente relevante para negócios que trabalham com margens menores ou dependem fortemente do capital de giro para financiar sua operação.

Uma análise publicada pelo UOL, por exemplo, citando estimativas da Peers Consulting, apontou que o mecanismo poderia afetar cerca de R$ 12 bilhões em tributos das dez maiores varejistas de capital aberto, evidenciando a dimensão que a mudança pode alcançar em empresas de grande porte.

E o que isso tem a ver com M&A?

Aqui está um ponto que merece atenção dos empresários.

Em uma operação de M&A, o comprador não analisa apenas o faturamento ou o lucro histórico da empresa.
Ele quer entender a capacidade do negócio de continuar gerando caixa, crescer e entregar retorno depois da aquisição.

Se uma mudança estrutural na tributação altera a dinâmica do capital de giro, esse impacto naturalmente entra no radar de uma avaliação mais completa da empresa.

Na prática, o comprador poderá querer entender:
Como o Split Payment afetará o fluxo de caixa?
A empresa terá necessidade adicional de capital de giro?
Os sistemas financeiros estão preparados?
A margem operacional será impactada?
Os preços precisarão ser revistos?
Existe dependência relevante do capital de giro tributário?
A empresa já realizou projeções para o novo cenário?
Quanto mais estruturadas forem as respostas, maior será a segurança durante uma negociação.

O Split Payment pode influenciar o valuation?

Pode.

Isso não significa que a simples existência do Split Payment reduzirá automaticamente o valor de uma empresa.

O ponto central é o impacto que a mudança terá sobre a capacidade futura de geração de caixa e sobre o risco percebido pelo comprador.

Uma empresa que demonstra previsibilidade, organização financeira e capacidade de adaptação tende a apresentar uma situação diferente de outra que ainda não sabe como a mudança afetará sua operação.

Por isso, o planejamento precisa começar antes de uma eventual venda.

Em uma operação de M&A, a análise financeira olha para o passado, mas o valuation também depende da expectativa de desempenho futuro.

Se a estrutura de caixa da empresa vai mudar, essa projeção precisa refletir a nova realidade.

A due diligence também pode ficar mais criteriosa

A preparação para uma venda passa necessariamente pela organização das informações que serão analisadas durante a due diligence.

Com a transformação provocada pela Reforma Tributária, questões relacionadas ao Split Payment podem ganhar espaço nessa avaliação.

O comprador pode buscar evidências de que a empresa:
conhece os impactos da mudança;
possui sistemas adequados;
revisou seus processos financeiros;
projetou os efeitos sobre o capital de giro;
avaliou impactos sobre preços e margens;
possui governança suficiente para acompanhar a transição.

A preparação deixa de ser apenas uma preocupação do departamento fiscal.

Ela passa a envolver finanças, tecnologia, operações e estratégia.

Por que 2027 pode ser um ano importante para quem pretende vender em 2028 ou 2029?

Porque uma empresa não deveria começar a se preparar para uma venda quando o comprador aparece.

Se um empresário pretende vender sua empresa nos próximos anos, 2027 pode ser justamente o momento de demonstrar que o negócio consegue atravessar uma mudança estrutural sem comprometer sua capacidade de geração de valor.

A adoção gradual do Split Payment poderá funcionar, inclusive, como uma oportunidade para testar processos, identificar gargalos e ajustar a gestão financeira antes da obrigatoriedade prevista para 2028.

Essa preparação pode envolver:
revisão do fluxo de caixa;
análise do capital de giro;
adequação dos sistemas;
revisão de indicadores;
atualização de projeções financeiras;
análise de margens;
fortalecimento da governança;
organização de informações para uma futura due diligence.

Empresas preparadas saem na frente

Toda mudança regulatória cria desafios.

Mas também cria uma diferença entre empresas que se antecipam e aquelas que esperam a mudança acontecer para depois reagir.

No contexto de M&A, essa diferença pode ser relevante.

Uma empresa preparada consegue explicar ao potencial comprador não apenas o que mudou, mas principalmente como está administrando a mudança.

Isso demonstra maturidade de gestão.

E maturidade de gestão é um ativo importante em uma negociação.

O que o empresário deve fazer agora?

Não é necessário esperar 2028 para começar.

O primeiro passo é entender como o Split Payment poderá afetar a realidade específica da empresa.

Depois, é possível trabalhar em três frentes.

1. Entender o impacto financeiro
Projete diferentes cenários para avaliar os efeitos sobre caixa, capital de giro, margem e necessidade de financiamento.

2. Preparar a operação
Verifique se os sistemas, processos financeiros e controles internos estarão preparados para a nova dinâmica de pagamentos.

3. Preparar a empresa para o M&A
Se existe a intenção de vender no futuro, aproveite esse período para fortalecer governança, indicadores, processos e previsibilidade financeira.

A preparação antecipada reduz incertezas e aumenta a capacidade de negociação.

Conclusão

A previsão de obrigatoriedade do Split Payment para 2028 muda o calendário, mas não muda a necessidade de preparação.

O mecanismo deverá começar a ser adotado de forma gradual e facultativa em 2027, enquanto a Receita Federal trabalha com 2028 para a obrigatoriedade geral. Ainda assim, a data depende de regulamentação e da adaptação dos meios de pagamento.

Para empresas que pensam em M&A, o ponto mais importante não é apenas saber quando a regra entrará em vigor.
É entender como a mudança afetará o valor e a capacidade de geração de caixa do negócio.

Quem pretende vender uma empresa em 2028, 2029 ou nos anos seguintes pode usar 2027 para fazer justamente o que compradores mais valorizam: preparar o negócio antes da negociação.

No M&A, antecipação não é apenas cautela.

É estratégia.

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Índice Big Mac na economia: o que ele revela sobre gestão, preços e estratégia

O Índice Big Mac na economia é um dos indicadores mais conhecidos para comparar o poder de compra entre países de forma simples e prática. Criado pela revista The Economist, ele utiliza o preço de um mesmo produto vendido globalmente para mostrar diferenças econômicas, cambiais e estruturais entre mercados.

Embora pareça apenas uma curiosidade econômica, o conceito revela algo muito maior para empresários: preço, margem e gestão estão diretamente conectados.

Além disso, entender como o Índice Big Mac funciona ajuda empresas a enxergarem melhor seus custos, sua estratégia de precificação e sua capacidade de sustentar crescimento com rentabilidade.

O que é o Índice Big Mac na economia?

O Índice Big Mac surgiu como uma forma simplificada de medir a chamada paridade do poder de compra entre diferentes países.

Na prática, ele compara quanto custa um mesmo hambúrguer em diversas economias do mundo. Como o produto segue um padrão global, as diferenças de preço refletem fatores como:

  • carga tributária
  • custo de operação
  • inflação
  • logística
  • aluguel
  • mão de obra
  • câmbio
  • poder de compra da população

Segundo a The Economist, o indicador se tornou uma referência popular para traduzir temas econômicos complexos de maneira acessível.

O que o preço de um Big Mac revela sobre gestão?

O preço de um Big Mac não representa apenas um sanduíche. Ele mostra toda a estrutura necessária para operar um negócio de forma sustentável.

Por trás do valor final existem diversos fatores estratégicos:

  • eficiência operacional
  • controle financeiro
  • gestão tributária
  • produtividade da equipe
  • negociação com fornecedores
  • capacidade logística
  • posicionamento de mercado

Por isso, empresas que possuem uma gestão mais organizada conseguem proteger melhor suas margens, mesmo em cenários de inflação ou aumento de custos.

Além disso, o Índice Big Mac na economia evidencia um ponto importante: preço nunca é definido de forma isolada.

O erro de copiar preços sem analisar o contexto

Muitas empresas tentam definir seus preços olhando apenas para concorrentes ou grandes marcas. No entanto, essa prática pode gerar distorções perigosas.

Isso acontece porque cada negócio possui:

  • custos diferentes
  • estruturas operacionais diferentes
  • posicionamentos distintos
  • níveis de eficiência variados

Consequentemente, copiar preços sem entender a própria estrutura pode reduzir margem e comprometer a saúde financeira da empresa.

A formação de preços precisa considerar custos, mercado e percepção de valor para garantir competitividade e rentabilidade.

O impacto da precificação na margem da empresa

Quando a precificação não é estruturada corretamente, a empresa pode até aumentar faturamento, mas perder rentabilidade.

Esse é um dos problemas mais comuns em empresas que crescem sem controle de indicadores.

Além disso, mudanças externas como inflação, aumento de matéria-prima ou alterações tributárias podem afetar rapidamente os resultados.

Por isso, empresas mais maduras acompanham constantemente indicadores como:

  • margem de contribuição
  • custo operacional
  • rentabilidade por produto
  • fluxo de caixa
  • ticket médio
  • lucratividade

Com esses dados, a tomada de decisão deixa de acontecer apenas na percepção e passa a acontecer com base em análise real.

O que empresas bem estruturadas fazem diferente?

Empresas que conseguem crescer com consistência tratam precificação como estratégia contínua, não como ajuste pontual.

Normalmente, essas organizações:

  • conhecem profundamente seus custos
  • acompanham indicadores financeiros
  • revisam margens constantemente
  • entendem o comportamento do cliente
  • ajustam preços com base em dados

Além disso, possuem processos mais estruturados e maior capacidade de adaptação ao mercado.

É justamente isso que permite sustentar crescimento sem sacrificar rentabilidade.

O Índice Big Mac mostra mais sobre gestão do que sobre hambúrguer

O Índice Big Mac na economia é um exemplo simples, mas extremamente eficiente, para mostrar como preço está ligado à estrutura de um negócio.

No fim, empresas que acertam na precificação não são apenas as que cobram mais caro ou mais barato. São aquelas que entendem seus números, controlam seus custos e possuem clareza estratégica para sustentar o preço que praticam.

E isso não vem de comparação com concorrentes. Vem de gestão.

Se sua empresa busca crescer com mais previsibilidade, margem e estrutura, vale entender como governança, indicadores e estratégia impactam diretamente os resultados.

Conheça também outros conteúdos sobre gestão e crescimento empresarial no blog da IGHER Consultoria.

Para aprofundar o tema, veja também o estudo oficial do The Economist sobre o Índice Big Mac.